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Agosto Lilás: Confira o segundo colocado do "Concurso de Redação"
Título da Redação: As Amarras invisíveis do silencio.
O Sociólogo Pierre Bourdieu, afirma que a "violênciasimbólica” ocorre quando opressões estruturais são naturalizadas pela sociedade. Nessa perspectiva, na sociedade brasileira a persistência das agressões contra mulheres reflete essa teoria, perpetuada por uma omissa cultura do silêncio.
Neste contexto, esse cenário crônico não é um fato isolado, mas sim reflexo direto da profunda descrença na eficácia das instituições públicas de proteção e a dependência econômica das vítimas.
Nesse viés, a fragilidade institucional perpetua esse ciclo de abusos, sejam eles físicos ou psicológicos.
Segundo o geógrafo Milton Santos, a nação verde-amarela vivencia uma “cidadania mutilada”, na qual os direitos existem no papel, mas não na prática. Sob essa ótica, a falta de aplicação adequada e de fiscalização rígida Lei Maria da Penha e a escassez de delegacias especializadas confirmam essa lacuna da realidade. Como consequência, o agressor age sob a certeza da impunidade, enquanto as vítimas, sem apoio ou ajuda, permanecem silenciadas pelo medo. Logo, urge superar essa passividade e restaurar os direitos de modo igualitário.
Ademais, a dependência socioeconômica das vítimas atua como outro forte entrave.
De acordo com o pensador Gilberto Dimenstein, quando os direitos constitucionais não se aplicam na prática, ocorre uma “cidadania de papel”. Segundo essa lógica, na realidade brasileira, a falta de renda própria e o medo de não conseguir sustentar os filhos forçam muitas mulheres a conviver com o agressor. Como consequência, a vulnerabilidade financeira anula a liberdade de escolha perpetua o ciclo de abusos domésticos. Assim sem o devido suporte econômico do Estado, a emancipação feminina permanece como promessa meramente teórica.
Portanto, é fundamental descentralizar as delegacias especializadas da mulher de grandes centros e garantir o cumprimento imediato das medidas protetivas de urgência, além de expandir redes de acolhimento psicossocial. Desse modo, por meio desse fortalecimento prático das instituições será possível romper com a violência simbólica apontada por Bourdieu, transformando garantias teóricas em segurança e dignidade real para todas as cidadãs do Brasil.
Última modificação em 21/08/2026
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